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Biblioteca Vila Gale2022Quando Éramos PeixesJosé GardeazabalQuando Éramos Peixes - capa do livro

2022

Quando Éramos Peixes

José Gardeazabal

Genero
Romance
Geografia
Portugal
ISBN
9789897846588

Memória Natureza

Sinopse

Quando Éramos Peixes acompanha Simone e Tomass, arquiteta e engenheiro, casal em reconstrução que termina uma ponte nas margens da Europa, entre Oriente e Ocidente. O ambiente de fronteira, atravessado por nova prosperidade e velhos hábitos autoritários, torna-se palco para uma interrogação sobre feminino, masculino, sexualidade, género, poder e desejo. A relação entre os protagonistas abre-se a um triângulo amoroso, onde Camille, filha de um autocrata, concentra fascínio, tensão e risco. O romance articula intimidade e geopolítica, engenharia e fragilidade, corpo e território, fazendo da ponte o centro simbólico de uma narrativa sobre ligação, instabilidade e transformação.

Razao da escolha

Este título é muito adequado ao desenho simbólico da Biblioteca Vila Galé. A ponte, aqui, é mais do que infraestrutura: é metáfora de ligação, trânsito, fronteira, risco e negociação entre mundos. A obra aproxima intimidade e geopolítica, casal e civilização, corpo e território, desejo e poder. Para uma coleção que valoriza viagem, experiência de lugar e circulação cultural, Quando Éramos Peixes traz uma reflexão contemporânea sobre as margens da Europa e sobre as tensões entre Oriente e Ocidente. A escolha acrescenta à lista uma literatura de fronteira, capaz de pensar a construção material do mundo e a instabilidade das relações humanas.

Notas de leitura

Ler a ponte como centro do romance. Ela une margens, mas também revela diferenças, fissuras e desequilíbrios. O leitor deve observar como José Gardeazabal transforma a engenharia em linguagem simbólica: construir uma ponte não significa eliminar o abismo; significa reconhecê-lo e tentar atravessá-lo. A relação entre Simone, Tomass e Camille deve ser lida para além do triângulo amoroso convencional. Ela interroga desejo, género, poder e transformação social num mundo que perdeu certezas antigas sem encontrar estabilidade nova. Curatorialmente, o livro é relevante porque coloca a travessia no coração da experiência contemporânea: ninguém atravessa sem se alterar.

Biografia do autor

José Gardeazabal nasceu em Lisboa. Escritor, poeta e dramaturgo, viveu, estudou e trabalhou em diferentes cidades, incluindo Luanda, Aveiro, Boston e Los Angeles, experiência que ajuda a explicar a dimensão transnacional e experimental da sua obra. O seu livro de poesia História do Século Vinte foi distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura. O primeiro romance, Meio Homem Metade Baleia, foi finalista do Prémio Oceanos, e A Melhor Máquina Viva recebeu forte reconhecimento crítico. Com Quando Éramos Peixes, segundo volume da chamada Trilogia dos Pares, aprofunda temas como intimidade, género, política, linguagem e transformação do século XXI.