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2007

Combateremos a Sombra

Lídia Jorge

Geografia
Portugal

História Identidade

Sinopse

Combateremos a Sombra acompanha Osvaldo Campos, psicanalista lisboeta que se vê envolvido numa rede de segredos, crimes, manipulações e zonas obscuras da sociedade contemporânea. A narrativa parte de uma atmosfera psicológica inquietante para construir uma reflexão sobre medo, poder, culpa, silêncio e cumplicidade. Lídia Jorge desloca o romance para uma Lisboa moralmente ambígua, onde a aparência de normalidade esconde forças subterrâneas. A sombra do título não é apenas uma ameaça abstrata: é a presença do mal quando ele circula sem rosto definido, protegido pela indiferença, pela conveniência social e pela incapacidade coletiva de reconhecer o que está diante dos olhos.

Razão da escolha

A obra reforça uma dimensão importante da Biblioteca Vila Galé: a cidade contemporânea como espaço de inquietação ética. Lídia Jorge, já central na literatura portuguesa pós-25 de Abril, surge aqui com um livro que observa a sociedade democrática não pelo lado da celebração, mas pelas suas zonas de opacidade. A escolha dialoga com cidade, poder, medo, responsabilidade individual e fragilidade das instituições. Para uma biblioteca associada à hospitalidade, o romance funciona como contraponto necessário: nem todo espaço acolhedor é transparente; nem toda cidade civilizada está livre de violência escondida. A obra acrescenta maturidade crítica e densidade moral ao conjunto.

Notas de leitura

Ler como romance sobre aquilo que não se vê diretamente. A sombra não é apenas metáfora exterior; é o modo como o mal se instala quando ninguém quer nomeá-lo. O leitor deve observar como Lídia Jorge constrói tensão não apenas pelos acontecimentos, mas pela atmosfera, pelos silêncios e pelas pequenas cedências morais das personagens. A psicanálise, no romance, não é mero elemento profissional do protagonista; é também uma chave para ler uma sociedade que reprime, desloca e esconde as suas violências. Curatorialmente, o livro é importante porque mostra a cidade como lugar de aparente normalidade e de perturbação subterrânea.

Biografia do autor

Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, no Algarve, em 1946. Viveu em Angola e Moçambique durante os anos finais da guerra colonial, experiência que marcou profundamente a sua visão literária da história portuguesa contemporânea. Estreou-se com O Dia dos Prodígios, em 1980, e afirmou-se como uma das grandes escritoras portuguesas do período pós-revolucionário. A sua obra aborda memória colonial, democracia, violência, condição feminina, responsabilidade moral e transformação social. Entre os seus livros mais importantes estão A Costa dos Murmúrios, O Vale da Paixão, Combateremos a Sombra, Os Memoráveis e Misericórdia. É uma autora de grande projeção internacional e forte reconhecimento crítico.